segunda-feira, 28 de julho de 2008

Enfim, Zurich

Doze horas de viagem, risadas com o Dani, com o Homer (tive que ver um episodio), deslumbramento ao descobrir que o aviao tinha cameras externas que permitiam que eu tivesse a vista dos pilotos e de toda area abaixo da aeronave, e finalmente estava em Zurich.
O pais do chocolate, das vaquinhas, dos Alpes...a vista la do alto era linda, havia neve em algumas montanhas.
O que eu ouvi a respeito do lugar e que eu amaria a cidade, tudo muito bonito, mas que as pessoas eram secas, frias...ja fui com um certo receio.
Parei na alfandega, e a mocinha, muito educada conversou conosco em ingles, perguntando qnto tempo ficariamos, se era a primera vez...e qndo soube que estavamos apenas de passagem disse: Ah, vcs deveriam ficar mais! Nos temos as montanhas mais lindas do mundo! Voltem assim que puderem, nao irao se arrepender!
Pronto, ai a imagem de frios ja se dissolveu pra mim, pois ela fora deveras simpatica. Antes disso, de um terminal ao outro vc tem que pegar um trem do aeroporto mesmo...cara, coisa de outro mundo! Eu olhava pra tudo deslumbrada, e algo totalmente fora da minha realidade. No trenzinho ouvia-se uma vaquinha e seu sino, e pela janela eu via varias fotos de uma menina vestida com trajes tipicos suicos trancinhas, que conforme o trem passava parecia um mini-video...achei muito legal!
Ok, estava em Zurich, estava na Europa. Mais informacoes solicitadas no aeroporto, pessoas muito cordiais e prestativas, trocamos um pouco de euro em franco suissos e pegamos o trem pra cidade. Mais modernidade e eu estava meio atonita com tanta novidade e com a noite mal dormida, sem contar a diferenca de 5 horas no fuso...
Chegando na estacao central (a viagem levou menos de 15 minutos), mais informacoes pedidas, mais gente educada e saimos andando pela cidade...um calor gostoso, devia fazer uns 27 graus. Muita gente tomando sol no paque, familias, jovens, casais...pra onde se olha, so se ve cabecas amarelas....hahahahahha...eu era um ponto de destaque no lugar, acho ate q era a unica morena de olhos castanhos....fora isso so vi uns poucos negros no parque, falando uma lingua X que nao entendi lhufas.
A fome aperta, saco da mochila um sandubas que compramos no aeroporto de Sampa. O Dani pergunta: sera que ta bom?? E eu: Pagamos 15 conto nele, vai ter que ta otimo!
Acho que estava bom sim, ate agora nao morri...hehehehehehe.
Bom, vamos a Zurich: e a cidade dos sonhos. Tudo que vc ouviu de bom, esta la. Vc pisa na faixa de pedestres, com ou sem semaforo, o motorista para. Vc pode estar errado, ele para. O farol pode estar fechado pra vc, ele para. Ele pode estar a 500 km/h, ele para, e o melhor, nao xinga.
Falei logo pro Dani: precisamos nao nos acostumar a isso, senao nao duraremos 10 minutos no Brasil...hehehehhhe.
A cidade e linda e limpa. Calma. Bondes andam pelas ruas, o idioma oficial e o alemao, mas e facil se virar com o ingles, todo mundo fala.
Tem o rio maravilhoso de aguas azuis, com peixes e cisnes que corta a cidade, onde as pessoas se banham livremente.
Ha pouco ou nenhum lixo jogado pelas ruas, e por onde andei achei tudo perfeito. Muitas biciletas, igrejas (nao quis entrar em nenhuma, quis dar uma andada geral pela cidade pq o tempo era escasso), feirinhas, mas a cidade e realmente muito cara. Um outro tipo de vida, um outro padrao. Carros luxuosos andam tranquilamente pelas ruas, conversiveis sem capota, sem medo de sequestro relampago! hahahahahahhah
Andando numa das ruas, um senhor cheio de malas se vira e pergunta: Vcs sabem onde fica o hotel X? E a gente: vish, estamos de passagem...e ele responde: ah, eu ouvi o portugues e resolvi perguntar....Esse foi nosso primeiro contato com brasileiros la fora.
Bom, este e um lugar que eu faco questao de voltar. Ate musica classica vc escuta ao andar pela cidade.
Na volta ao aeroporto, sem querer entramos num vagao do trem que so tinha criancas. Sentamos assustados, e uma senhora comecou a nos explicar em alemao o que era, ou seja, nao entendi porra nenhuma...so que ela falou que poderiamos ficar la de boa....hahahahahahaha....depois ela passou com um saco de chocolates pras criancas e me ofereceu...CHOCOLATE SUISSO, eu iria recusar?? Obvio que nao. Agradeci e peguei um pedaco...pedaco do ceu aquele troco, como pode ser tao gostoso?? hahahahahhaa
Antes do trem sair, ouvimos um barulho...o Daniel, aproveitando que estavamos em um lugar diferente, solta: Caralho!! Uma moca a frente ri...sei la, nao entendi nada.
Qndo descemos do trem, ela vira e fala: brasileiros?? E a gente: sim, sim! Ela era portuguesa, conversou conosoco, falou que ali era demais mesmo e que ha muitos brasileiros por la...nos despedimos e fomos ao aeroporto nos preparar para o outro voo, agora sim para Roma.

Europa 2008


A ficha so caiu na terca feira anterior a viagem. As 5:30 eu acordei e nao dormi mais, fiquei rolando feito um kibe na frigideira, pensando em tudo que ainda tinha pra organizar....
A mala, como sempre, saiu maior do que o previsto...afinal, sao mais de 30 dias zanzando de pais em pais, cidade em cidade...
Ok, a euforia foi aumentando a medida que as horas passavam...eis que dia 18/7, uma sexta-feira qualquer para muitos, um sonho antigo comecou a tomar forma: eu estava ali, fazendo check in no stand da Swiss Air, com destino a Zurich, a primeira parada...
Ficaria 9 horas ali, esperando o voo pra Italia, mas o atendente conseguiu adiantar nosso voo...seriam apenas 5 horas em Zurich agora, mas achei que tava bom.
O aviao chega, aquele baque....nunca tinha entrado num JUMBAO, como dizia o Daniel...hahahahaha....muito luxo pra uma pessoa so! Cada cadeira tem a tela em frente, com controle remoto...tres fileiras de poltronas...gente do mundo todo, um monte de idioma sendo falado...pronto, ja estava em outro mundo...hehehehehehe
A viagem comecou pontualmente, sem atrasos. Um casal de gays sentou-se ao nosso lado...sem problemas...ate que o suisso resolveu levantar o braco...muito problema ae! hahahahahaha...verdade, parecia que tinha uma duzia de urubus no sovaco dele! Acho que o brasileiro se tocou e trocou de lugar com ele...colocou-o no corredor, para nosso alivio...
Comeca o servico de bordo, e eu, como qualquer pobre, pede logo vinho, obvio. A aeromoca fala em ingles, minha lingua enrola, mas ela me entende...hahahahaha...white wine! Uma dose equivale a 5 la no alto, e depois da segunda garrafinha eu ja to numa otima...mas mesmo assim termino a do Dani. Comeco a relaxar, ficar mais leve...resolvo ligar a telinha e vejo que tem THRILLER do nosso amigo Michael para escutar...eu ria, cantava...imaginava coisas...foi otimo. Enfim, doze horas de voo, eu nao consegui dormir muito bem pq a cadeira nao deita muito, mas cheguei em Zurich cheia de vontade....


PS: o notebook do Dani nao tem acentuacao!

quarta-feira, 2 de julho de 2008

O parto

Casamos novos. Ela com 19 e eu com 20 anos de idade.
Lua-de-mel, viagens, mobílias na casa alugada, prestações da casa própria e o primeiro bebê.
Anos oitenta e a moda era ter uma filmadora do Paraguai.
Sempre tinha um vizinho ou amigo contrabandista disposto a trazer aquela muambazinha por um preço módico.
Ela tinha vergonha, mas eu desejava eternizar aquele momento.
Invadi a sala de parto com a câmera no ombro e chorei enquanto filmava o parto do meu primeiro filho.
Todo mundo que chegava lá em casa era obrigado a assistir ao filme.
Perdi a conta das cópias que fiz do parto e distribuí entre amigos, parentes e parentes dos amigos.
Meu filho e minha esposa eram os meus orgulhos.
Três anos depois, novo parto, nova filmagem, nova crise de choro.
Como ela categoricamente disse que não queria que eu filmasse, invadi a sala de parto mais uma vez com a câmera ao ombro.
As pessoas que me conhecem sabem que havia apenas amor de pai e marido naquele ato.
O fato de fazer diversas cópias da fita era apenas uma demonstração de meu orgulho.
Nada que se comparasse ao fato de ela, essa semana, invadir a sala do urologista, câmera ao ombro, filmando o meu exame de próstata.
Eu lá, com as pernas naquelas malditas perneiras, o cara com um dedo (ele jura que era só um!) quase na minha garganta e minha mulhergritando:
Ah! Doutoor! Que maravilha! Vou fazer duas mil cópias dessa fita! Semana que vem estou enviando uma para o senhor!
Meus olhos saindo da órbita a fuzilaram, mas a dor era tanta que não conseguia falar.
O miserável do médico girou o dedo e eu vi o teto a dois centímetros do meu nariz.
A mulher continuou a gritar, como um diretor de cinema:
- Isso, doutor! Agora gire de novo, mais devagar. Vou dar um close agora .
Alcancei um sapato no chão e joguei na maldita. Agora, estou escrevendo este e-mail, pedindo aos amigos que receberem uma cópia dofilme, que o enviem de volta para mim. Eu pago o reembolso.
Luiz Fernando Veríssimo

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Cenoura, Ovo ou Café


Uma filha queixou a seu pai sobre sua vida e de como as coisas estavam tão difíceis para ela. Ela já não sabia mais o que fazer e queria desistir. Estava cansada de lutar e combater. Parecia que assim que um problema estava resolvido um outro surgia. Seu pai, um "chef", levou-a até a cozinha dele. Encheu três panelas com água e colocou cada uma delas em fogo alto. Logo as panelas começaram a ferver. Em uma ele colocou cenouras, em outra colocou ovos e, na última pôs café. Deixou que tudo fervesse, sem dizer uma palvra. A filha deu um suspiro e esperou impacientemente, imaginando o que ele estaria fazendo. Cerca de vinte minutos depois, ele apagou as bocas de gás. Pescou as cenouras e as colocou em uma tigela. Virando-se para ela, perguntou:
Querida, o que você está vendo?
Cenouras, ovos e café, ela respondeu.
Ele a trouxe para mais perto e pediu-lhe para experimentar as cenouras.
Ela obedeceu e notou que as cenouras estavam macias.
Ele, então lhe pediu que pegasse um ovo e o quebrasse.
Ela obedeceu e depois de retirar a casca verificou que o ovo endurecera com a fervura.
Finalmente, ele lhe pediu que tomasse um gole do café. Ela sorriu ao provar seu aroma delicioso. Ela perguntou humildemente: " O que isto significa, pai?"
Ele explicou que cada um deles havia enfrentado a mesma adversidade, água fervendo, mas que cada um reagiria de maneira diferente.
A cenoura entrara forte, firme e inflexível. Mas depois de ter sido submetida à água fervendo, ela amolecera e se tornara frágil.
Os ovos eram frágeis. Sua casca fina havia protegido o líquido interior. Mas depois de terem sido colocados na água fervendo, seu interior se tornou mais rígido. O pó de café, contudo, era incomparável. Depois que fora colocado na água fervente, ele havia mudado a água.
Qual deles é você? ele perguntou a sua filha. Quando a adversidade bate a sua porta, como você responde? Você é uma cenoura, um ovo ou um pó de café? E você? Você é como a cenoura que parece forte, mas com a dor e a adversidade você murcha e se torna frágil e perde sua força?
Será que você é como o ovo, que começa com um coração maleável? Você teria um espírito maleável, mas depois de alguma morte, uma falência, um divórcio ou uma demissão, você se tornou mais difícil e duro? Sua casca parece a mesma, mas você está mais amargo e obstinado, com o coração e o espírito inflexíveis? Ou será que você é como o pó de café? Ele muda a água fervente, a coisa que está trazendo a dor, para conseguir o máximo de seu sabor, a 100 graus centígrados. Quanto mais quente estiver a água, mais gostoso se torna o café. Se você é como o pó de café, quando as coisas se tornam piores, você se torna melhor e faz com que as coisas em torno de você também se tornem melhores.

COMO VOCÊ LIDA COM A ADVERSIDADE? VOCÊ É UMA CENOURA, UM OVO OU CAFÉ?
Autor desconhecido

terça-feira, 17 de junho de 2008

Lisbon Revisited (1923) - Álvaro de Campos


NÃO: Não quero nada.
Já disse que não quero nada.
Não me venham com conclusões!
A única conclusão é morrer.

Não me tragam estéticas!
Não me falem em moral!

Tirem-me daqui a metafísica!
Não me apregoem sistemas completos, não me enfileirem conquistas
Das ciências (das ciências, Deus meu, das ciências!) —
Das ciências, das artes, da civilização moderna!

Que mal fiz eu aos deuses todos?

Se têm a verdade, guardem-na!

Sou um técnico, mas tenho técnica só dentro da técnica.
Fora disso sou doido, com todo o direito a sê-lo.
Com todo o direito a sê-lo, ouviram?

Não me macem, por amor de Deus!

Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável?
Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?
Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.
Assim, como sou, tenham paciência!
Vão para o diabo sem mim,
Ou deixem-me ir sozinho para o diabo!
Para que havemos de ir juntos?

Não me peguem no braço!
Não gosto que me peguem no braço. Quero ser sozinho.
Já disse que sou sozinho!
Ah, que maçada quererem que eu seja da companhia!

Ó céu azul — o mesmo da minha infância —
Eterna verdade vazia e perfeita!
Ó macio Tejo ancestral e mudo,
Pequena verdade onde o céu se reflecte!
Ó mágoa revisitada, Lisboa de outrora de hoje!
Nada me dais, nada me tirais, nada sois que eu me sinta.

Deixem-me em paz! Não tardo, que eu nunca tardo...
E enquanto tarda o Abismo e o Silêncio quero estar sozinho!

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Deficiente


"Deficiente" é aquele que não consegue modificar sua vida, aceitando as imposições de outras pessoas ou da sociedade em que vive, sem ter consciência de que é dono do seu destino.
"Louco" é quem não procura ser feliz com o que possui.
"Cego" é aquele que não vê seu próximo morrer de frio, de fome, de miséria. E só tem olhos para seus míseros problemas e pequenas dores.
"Surdo" é aquele que não tem tempo de ouvir um desabafo de um amigo, ou o apelo de um irmão. Pois está sempre apressado para o trabalho e quer garantir seus tostões no fim do mês.
"Mudo" é aquele que não consegue falar o que sente e se esconde por trás da máscara da hipocrisia.
"Paralítico" é quem não consegue andar na direção daqueles que precisam de sua ajuda.
"Diabético" é quem não consegue ser doce.
"Anão" é quem não sabe deixar o amor crescer.
E, finalmente, a pior das deficiências é ser miserável, pois "Miseráveis" são todos que não conseguem falar com Deus.
"A amizade é um amor que nunca morre."

(Mário Quintana)

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Dia dos namorados

"Fizeram a gente acreditar que amor mesmo, amor pra valer, só acontece
uma vez, geralmente antes dos 30 anos.
Não contaram pra nós que amor não é acionado, nem chega com hora marcada.
Fizeram a gente acreditar que cada um de nós é a metade de uma
laranja, e que a vida só ganha sentido quando encontramos a outra
metade.
Não contaram que já nascemos inteiros, que ninguém em nossa vida
merece carregar nas costas a responsabilidade de completar o que nos
falta: a gente cresce através da gente mesmo.
Se estivermos em boa companhia, é só mais agradável.
Fizeram a gente acreditar numa fórmula chamada "dois em um": duas
pessoas pensando igual, agindo igual, que era isso que funcionava.
Não nos contaram que isso tem nome: anulação. Que só sendo indivíduos
com personalidade própria é que poderemos ter uma relação saudável.
Fizeram a gente acreditar que casamento é obrigatório e que desejos
fora de hora devem ser reprimidos.
Fizeram a gente acreditar que os bonitos e magros são mais amados, que
os que transam pouco são caretas, que os que transam muito não são
confiáveis, e que sempre haverá um chinelo velho para um pé torto.
Só não disseram que existe muito mais cabeça torta do que pé torto.
Fizeram a gente acreditar que só há uma fórmula de ser feliz, a mesma
para todos, e os que escapam dela estão condenados à marginalidade.
Não nos contaram que estas fórmulas dão errado, frustram as pessoas,
são alienantes, e que podemos tentar outras alternativas.
Ah, também não contaram que ninguém vai contar isso tudo pra gente.
Cada um vai ter que descobrir sozinho. E aí, quando você estiver muito
apaixonado por você mesmo, vai poder ser muito feliz e se apaixonar
por alguém"
(John Lennon)

 
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